Pesquisa aponta que 37% dos paulistanos tiveram queda na renda em 2017

São Paulo – SP: Um terço dos paulistanos teve queda na renda em 2017, é o que aponta a pesquisa Viver em São Paulo – Trabalho e Renda, realizada pela Rede Nossa São Paulo e o Ibope Inteligência, e divulgada nesta quarta-feira (21).

Os dados mostram que apenas 10% dos entrevistados relataram aumento na renda pessoal no último ano. Dentre esses 10%, a maioria tem renda maior do que cinco salários mínimos. Para 37% ela diminuiu e 47% se manteve estável.

“O que dá pra perceber é que quanto menor a renda, diminui o percentual da população que diz que a renda aumentou. Mas não dá pra falar, de fato, que foi o setor mais abastardo que sentiu esse aumento”, afirmou Américo Sampaio, gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo.

Na avaliação do gestor dele, os índices alertam a necessidade de políticas públicas municipais para geração de renda e emprego.

“Salta aos olhos que nove em cada dez paulistanos não sentiram a sua renda melhorar no último ano. Isso é bastante drástico, complicado para a vida de uma cidade”, afirma.

A pesquisa entrevistou 800 paulistanos acima dos 16 anos entre os dias 8 a 27 de dezembro de 2017. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Mais de um terço dos paulistanos teve queda na renda nos últimos 12 meses, diz pesquisa (Foto: Juliana Souza/G1) Mais de um terço dos paulistanos teve queda na renda nos últimos 12 meses, diz pesquisa (Foto: Juliana Souza/G1)
Mais de um terço dos paulistanos teve queda na renda nos últimos 12 meses, diz pesquisa (Foto: Juliana Souza/G1)
Dos que apontaram queda na renda, 49% têm entre 35 e 44 anos de idade. 51% do total possui ensino fundamental. A maioria tem renda familiar de até dois salários mínimos.

A percepção de estabilidade na renda é maior na Zona Sul, o que corresponde a 51% dos entrevistados. A renda pessoal aumentou especialmente entre os que residem no Centro (16%) e na região Oeste (18%). Já a queda foi mais sentida na Zona Leste (40%) relatam redução no orçamento.

Comida e trabalho
A alimentação (49%) é apontada como a principal despesa no dia-a-dia dos entrevistados. Ela é citada principalmente paulistanos com Ensino Médio, acima dos 45 anos e mulheres.

Em segundo lugar estão os gastos com moradia (24%) e em terceiro, com plano de saúde, remédios e exames (10%).

A pesquisa também aponta que duas em cada dez pessoas (18%) afirmam estar desempregadas – taxa superior a média nacional. Desse montante, 14% revelam estar em busca de uma recolocação no mercado.

“Chama atenção que na principal capital da América Latina, dois em cada dez estão desempregados. É uma taxa muito alta, e a questão central é de como consegue resolver esse problema”, defende o gestor da Rede Nossa São Paulo.

“Estamos com altos índices de desemprego, é importante chamar atenção para esse debate, inclusive trazendo à luz a responsabilidade da Prefeitura na geração de empregos”, complementa.

Dos entrevistados, 29% declara ter emprego assalariado com ou sem registro em carteira; 23% diz trabalhar como profissional autônomo ou por conta própria.

Dos que estão empregados, a maioria (64%) afirma trabalhar na mesma região em que mora – percentual que é maior entre jovens, pessoas com Ensino Médio e por aqueles cuja renda familiar é de até dois salários mínimos.

O Centro é a região citada por oferecer mais possibilidades de emprego. Já a Zona Leste é área com maior dificuldade para encontrar oportunidades.

Desigualdade
A ideia de trabalho igualitário ainda não está fundamentada para a metade dos entrevistados. De acordo com o levantamento, cinco em cada dez entrevistados reconhece que as mulheres têm menos oportunidades no mercado de trabalho em comparação com os homens.

A diferença é citada mais entre as próprias mulheres, pessoas com 35 a 44 anos e com renda familiar entre dois a cinco salários mínimos.

Comente sobre a notícia!