MPF diz que esquema com fundos de pensão gerou cerca de R$ 20 milhões em propina

Ministério Público Federal (MPF) estima que o esquema de fraudes em fundos de pensão do Postalis (Correios) e Serpros (Serviço de Processamento de Dados do governo federal), revelado nesta quinta-feira na Operação Rizoma, desdobramento da Lava Jato no Rio, gerou cerca de R$ 20 milhões em propina. Os beneficiados eram lobistas, de acordo com a colaboração premiada, mas a PF suspeita que pessoas do alto escalão também tenham recebido vantagens.

Os valores dos fundos de pensão, que são uma opção de investimento para possibilitar a aposentadoria complementar do trabalhador, eram remetidos para empresas por decisões políticas, e não técnicas. Segundo os procuradores, quem influenciava a transferência para as empresas recebia a vantagem indevida.

“Os fundos precisam investir no mercado financeiro o que recebem mensalmente dos trabalhadores. Parte em risco baixo, por óbvio, mas também em empreendimentos [de risco maior], o que é saudável para a economia desde que seja feito baseado em critério técnico. O que tem ocorrido no Brasil é que partidos políticos indicavam pessoas nos fundos de pensão e estas escolhiam empresas fantasmas, onde faziam aportes volumosos. Depois, por isso, pedia-se uma propina de volta”, explica o procurador da força-tarefa Eduardo El Hage.

O empresário Arthur Pinheiro Machado, que já foi dono de corretora e tem mais de 100 empresas ligadas ao CPF dele, foi preso em São Paulo no início desta manhã.

Marcelo Sereno, que também foi preso, era ligado ao PT e, segundo a investigação, recebeu R$ 900 mil pelo lobby a favor do empresário. Uma outra parcela de R$ 3 milhões foi compartilhada com o operador Ricardo Rodrigues. Mylton Lira, apontado como operador do PMDB, também influenciou os aportes e teria recebido US$ 1 milhão. Não há indícios, porém, que os partidos tenham se beneficiado pelos desvios.

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